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Published on maio 15th, 2018 | by Thiago Croft

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22 anos de Tomb Raider

A personagem Lara Croft surgiu no final de 1996 com o jogo de videogame Tomb Raider. Uma aventura 3D em terceira pessoa inovadora, pois diferente dos jogos da época, a protagonista era uma mulher. A princípio seria um homem, porém seria mais um Indiana Jones, mudou-se para uma latino-americana ‘Laura Cruz’, mas o resultado final foi a britânica de gênio forte que se tornou um ícone dos videogames, símbolo sexual e marco na cultura pop.

É possível segmentar os jogos em quatro períodos, intercalando com extras, como jogos para Game Boy, os Golds, os Spin Offs e para smartphones.

Então, que tal uma viagem no tempo para rever tudo o que já foi lançado referente à personagem? 😉

 

A Era Clássica

Compreende-se a Era Clássica os cinco primeiros jogos, lançados para Playstation, Sega Saturn e PC (futuramente sairia uma versão do primeiro jogo para NGage e Android). E a série Gold (apenas para PC).

 

Tomb Raider (1996)

Logo de cara somos apresentados a uma trama fantástica e grandiosa, envolvendo artefatos da Antiga Atlântida – os Scion e, não apenas uma protagonista, como também uma vilã. Lara era capaz de atirar, correr, saltar, dar cambalhotas, nadar, escalar, acionar alavancas, empurrar blocos maciços de pedra (praticamente a Mulher Maravilha). Viajando por ruínas no Peru, Grécia, Egito e culminando numa Atlântida alienígena.

O jogo era desafiador, não havia um mapa para se guiar e a munição das pistolas eram infinitas, porém era uma arma mais fraca perto das demais. Não sabendo maneirar munição, poderia facilmente ficar rendido às duas pistolas iniciais. A inteligência artificial dos inimigos não era grande coisa, sendo possível ‘macetar’, ficando de uma plataforma aguardando que eles entrassem em seu campo de visão e os liquidasse. Contudo isto só ocorria após algum tempo de jogo, quando já se conhecia o cenário na palma da mão. Enfrentar dinossauros e alienígenas que disparam fogo era extremamente perigoso!

Os puzzles eram elaborados e havia chaves, alavancas e desafios a serem vencidos continuamente. Não era incomum ficar perdido com uma chave sem saber em que porta se abriria, ou tendo a porta, mas sem ter idéia onde haveria uma chave ou alavanca para ela. Outro desafio era alavanca e cronômetro, onde uma sequencia de saltos deveria ser feita para alcançar o local antes que o tempo se esgotasse. Isto, somado a uma música de tensão no momento exato, causava um pânico que os jogos da atualidade dificilmente conseguem gerar.

Tomb Raider ganhou em 1998 o prêmio Origins Awards, como melhor jogo de ação pra computador.

O Tomb Raider Gold: Unfinished Business era a DLC da época, lançado em início de 1997, era uma fase extra no Egito o qual envolve estátuas de gatos e liquidar de vez com os últimos atlantes alienígenas.

 

Tomb Raider II: Starring Lara Croft (1997)

O sucesso de Tomb Raider foi tão absoluto que um ano após o lançamento do primeiro, foi lançado a continuação. Muitos gamers começaram com este jogo, e isso se deve a fama do primeiro. O motor gráfico recebeu melhorias (Lara agora tinha uma trança durante o jogo, enquanto no original não havia capacidade para o tal). A protagonista ainda podia escalar paredes e girar no ar durante uma cambalhota. Novas armas, inimigos e os cenários foram ampliados. Lara agora usava roupa de mergulho, uma jaqueta para o frio (mas ainda de shortinho) e até (apenas) um roupão de banho!

Desta vez Lara Croft estava em busca da Adaga de Xian, um artefato que transformava a pessoa num enorme dragão. Havendo a possibilidade de controlar uma lancha em Veneza e uma moto de neve no Tibete. O vilão agora era Marco Bartoli, líder de um culto mafioso e obcecado pela adaga. Viajando pela Grande Muralha da China, os canais de Veneza, uma estação petroleira no Mar Adriático, um navio naufragado e o Tibete.

Tomb Raider 2 manteve a dificuldade e essência do original, adicionando novos desafios, Lara agora enfrentava muitos inimigos humanos. A ação embaixo d’água era desesperadora: o fôlego acabando, a escuridão (podendo utilizar um flare, se desejado) e tubarões brancos sedentos por sua carne! (e não, aqui Lara usa um arpão, e não dá um soco no focinho do tubarão).

No jogo original havia a Mansão Croft que servia para treinar os movimentos de Lara, porém era um tanto frustrante, pois não passava disso e apenas três salas. Já no segundo temos a mansão completa (até porque seria palco para uma das fases do jogo) e ainda recebeu Winston, o mordomo (ou ‘velho-múmia’ para os íntimos). A graça era trancá-lo no freezer, quem nunca?

A DLC do dois, Tomb Raider Gold: The Golden Mask, Lara vai em busca da máscara de ouro Tornarsuk, enfrentando dinossauros.

 

Tomb Raider III: Adventures of Lara Croft (1998)

Não apenas Assassin’s Creed lançava um jogo por ano, Tomb Raider já fazia isso nos anos 90. No final de 1998 saiu o terceiro jogo da saga, mais uma vez para Playstation e PC. O visual de Lara fora melhorando a cada jogo, era inegável. Porém o motor gráfico era claramente o mesmo, apenas sofrendo uma alteraçãozinha ou outra. A novidade era que Lara podia engatinhar por passagens estreitas (uma infinidade de marmanjos pausava o jogo para ver uma boneca poligonal…), pendurar-se no teto, correr em velocidade, a tirolesa, o quadriciclo (que também estava disponível para o treinamento na mansão), caiaque, hidropropulsor, bote e vagão de trem.

A história é uma das mais bobinhas da Era Clássica, um meteoro caíra do espaço e atingira a Antártida trazendo consigo um material estranho que dava poderes a quem o portasse, além de acelerar a evolução do ser. O próprio Darwin em suas viagens conheceu o material e iniciou sua pesquisa da origem das espécies. O material se dividiu em quatro partes e se espalhou pelo mundo, Lara parte para a Índia e descobre mais sobre isto, ao obter o primeiro fragmento, eis uma novidade: Ao invés de termos fases sequenciais, desta vez era possível escolher qual o próximo passo – Área 51, Ilhas do Pacífico Sul ou Londres. Havendo também uma roupa diferente para cada uma das fases.

Enquanto no 2 havia de cenário urbano os canais de Veneza e a plataforma petrolífera, no 3 temos uma base secreta americana com direito a nave alienígena bem ao estilo MIB e Independence Day; e os telhados, ruas e metrô de Londres.

O Tomb Raider The Last Artefact (muitas vezes chamadas de Gold 3), é a ‘DLC’ também exclusiva para PC. Lara descobre um quinto artefato, Mão de Rathmore. Explorando a Escócia e catacumbas francesas, onde reencontra uma antiga inimiga.

A mansão está melhor detalhada, tendo diversos locais de treinamento (podendo até atirar no mordomo, relaxa, é politicamente correto e Lara nunca o matará, ele usa colete) e um botão cronômetro abre a sala de troféus, onde podemos rever os artefatos de aventuras anteriores (a Adaga de Xian está lá! Bem como a cabeça de um T-Rex empalhada. Uma curiosidade, é homenagem a Indiana Jones – Caçadores da Arca Perdida).

 

Tomb Raider IV – The Last Revelation (1999)

O quarto jogo da franquia foi lançado para PC, Playstation e Dreamcast. Neste jogo a biografia de Lara sofre uma alteração. A princípio ela teria sofrido um acidente onde seus pais e noivo teriam morrido, ela uma dondoca sobreviveria sozinha e desde então despertado o interesse por aventuras. Neste jogo conhecemos uma Lara adolescente que é instruída por Werner Von Croy, um arqueólogo que lhe ensina e buscam no Camboja o Artefato de Isis (um dos itens que se encontram na sala secreta da mansão no 3).

Pela primeira vez o motor gráfico melhorou muito em relação ao primeiro. A personagem é visivelmente melhor trabalhada e há cutscenes incríveis. O jogo é ambientado inteiramente no Egito, onde a protagonista viaja por diversos templos e ruínas, além de cenários abertos no meio do deserto; tendo até um trem (obviamente limitado aos recursos da época, mas o mesmo foi repetido em Uncharted 2).

Sem querer Lara libera Seth de sua tumba e precisa aprisionar novamente o deus, pois diversas pragas começam a assolar todo o Egito. Sabendo que no passado fora Hórus quem combatera e vencera Seth, ela busca uma forma de trazer o deus de volta para que mais uma vez o vença e o aprisione. Na sequencia final, temos Von Croy já idoso na porta da ruína enquanto Lara luta bravamente para escapar, porém é soterrada pelos escombros do templo que desmorona sobre ela.

A idéia dos produtores era que este fosse o último jogo e deram um fim digno (é para muitos jogadores um dos melhores jogos já lançados), porém dúbio… não tendo corpo, não há morte.

Lara é capaz de controlar um jipe e uma moto durante o jogo, bem como escalar por cordas, pilastras e caminhar em corda bamba. São 35 níveis, sendo o Tomb Raider mais longo de todos.

 

Tomb Raider – Chronicles (2001)

The Last Revelation era pra ser o último, contudo após dois anos lançaram uma série de contos, onde amigos de Lara Croft se reuniram para relembrar antigas aventuras da então falecida. Foi lançado no início de 2001 para Playstation e no final para PC e Dreamcast.

O jogo não trás inovações e é extremamente curto em relação a todos os demais. É considerado por muitos o mais fraco da Era Clássica. Os amigos de Lara contam aventuras que se passam por Roma, Rússia, Irlanda e Nova Iorque. Novamente vemos uma Lara adolescente em uma macabra aventura. E a fase de Nova Iorque temos um visual high-tech digno de Matrix e Missão Impossível.

O mais interessante neste jogo foi mostrar que Von Croy não desistiu de Lara, ele liderou uma expedição para buscar senão sua ex-pupila, seu corpo. E ao encontrar apenas sua mochila (item que ela encontrara com ele na primeira fase do 4, no Camboja) o homem sorri. Ele sabia que ela estava viva!

 

Interlúdio

A Eidos Interactive e a Core Design – produtores do jogo, passaram algum tempo desenvolvendo o próximo jogo para a nova geração de console, surgia o Playstation 2.

No mesmo ano de lançamento do jogo anterior, Lara ganhara vida em carne e osso nos cinemas, vivida por Angelina Jolie em Lara Croft – Tomb Raider.

Entre 2000 e 2002 tivemos os lançamentos para o portátil Game Boy: Tomb Raider -The Nightmare Stone, Tomb Raider – Curse of Stone e o Tomb Raider – The Prophecy.

 

 

Tomb Raider: The Angel of Darkness (2003)

Projetado para ser o início de uma nova fase, porém com o fracasso ele foi abandonado. A Eidos pressionou a Core a agilizar o lançamento do novo jogo, entretanto o orçamento estava apertado, com equipe reduzida e até corte no roteiro. Lançado para Playstation 2 e PC.

O jogo começa com Lara em Paris descobrindo que Von Croy, seu antigo tutor fora assassinado e ela leva a culpa. Diversos assassinatos sinistros vêm acontecendo, a polícia está atrás de Lara e uma série de pinturas sinistras do século XIV estão relacionadas a um antigo alquimista Eckhardt. O jogo se inicia pelas ruas de Paris, tendo inclusive o Louvre e a República Tcheca onde há um sanatório com estranhas criaturas.

O jogo começou a sair do adventure e plataforma para entrar num clima de mistério, stealth, investigação e elementos de RPG. Algumas coisas Lara não conseguia fazer e de repente ela adquiria aquela capacidade ‘I’m feel strong enough’ e então poderia realizar alguma façanha. Às vezes era irritante isto, pois nem sempre ficava claro o que tinha que ser feito. Tarefas simples que ela realizava facilmente nos primeiros jogos, agora precisava fazer uma determinada ação para então dar prosseguimento. Outra inovação foi o combate corpo a corpo, bem rudimentar, mas finalmente havia.

A maior novidade foi haver outro personagem jogável – Kurts Trent. No entanto a parte mais legal dele ficou de fora do controle dos jogadores: seus poderes psíquicos. Talvez pela pressa em lançar o jogo, acabou saindo uma versão inacabada do que foi pensado. Ele é uma versão corpulenta de Lara, a arma mais legal dele fica de fora e a telecinésie não é utilizada. Vale apenas pelo cutscene no Louvre com o jogo de ‘gato e rato’ entre ele e Lara.

 

Primeira Era da Crystal Dynamics

O fracasso do The Angel of Darkness (AoD) levou a separação da Eidos com a Core, que inclusive estava desenvolvendo a edição de 10 anos de aniversário do primeiro Tomb Raider. Que ficou a cargo da Crystal Dynamics.

A princípio a Crystal manteve a pegada dos jogos clássicos, apenas alterando o visual da personagem para a atual geração de consoles e aproveitando o sucesso do filme de 2001, inclusive o título dos jogos levava o nome de Lara na frente. Muitas pessoas conheciam como o jogo da Lara e muitos ainda foram conhecer o jogo após o surgimento do filme.

Em julho de 2003 Lara Croft – Tomb Raider: A Origem da Vida estreou com Angelina Jolie reprisando o papel, porém não teve o mesmo sucesso do anterior e a franquia finalizou aí (também depois do soco no tubarão…).

 

Lara Croft Tomb Raider: Legend (2006)

O sétimo jogo da franquia tem visual e mecânica completamente nova. E aqui mais uma vez a biografia da personagem foi alterada. Mantém o acidente de avião, porém uma Lara mais jovem e apenas a mãe está na aeronave com ela, que desaparece por um portal. Funde-se a biografia do filme de 2001, o pai de Lara se torna arqueólogo e ela segue os passos do pai, também alterando o nome para o do filme, de Henshingly para Richard Croft. Inclusive a mansão é muito similar à do filme. Lançado para Playstation 2, Xbox, PC e Nintendo DS, futuramente receberia remasterizações para consoles mais modernos.

Diferente do anterior, este novo Tomb Raider recebeu boas críticas, a quem o considere um dos três melhores jogos da franquia, pois retornava ao adventure do clássico, mas aumentando muito a ação (tendo inclusive granadas!). Lara decide buscar por sua mãe e com isso busca a lendária espada do Rei Arthur – Excalibur, que está diretamente ligada ao desaparecimento de Amélia Croft. Temos uma reviravolta onde Amanda, outrora amiga de Lara, se torna sua antagonista. Repetindo a dose do Tomb Raider original onde protagonista e vilã foram encabeçadas por mulheres.

As aventuras correm pela Bolívia, Peru, Japão, Gana, Cazaquistão, Inglaterra e Nepal. Os cenários estão muito bem construídos e há puzzles interessantes usando peso e contra-peso. Uma das fases Lara utiliza a moto e pode atirar nos inimigos enquanto guia o veículo. Algo que surgiu que facilitou muito foi o contato de Lara com Zip por fone, onde ia dando dicas do que fazer. O mesmo se manteve pelos dois jogos seguintes. O que tirou totalmente a dificuldade dos jogos anteriores.

As roupas de Lara mudaram, agora totalmente marrons, porém mantiveram a essência do original. Houve um salto gigantesco de polígonos, com gráficos e personagens muito mais realistas. Com a melhoria gráfica, as cutscenes e diálogos ficaram muito mais elaborados e interessantes.

Além dos movimentos de Lara que podia saltar lateralmente de uma rachadura para outra, dar chutes e rasteiras nos inimigos (desta vez muito melhor que o combate duro do AoD) e a grande inovação de saltar sobre os ombros dos inimigos e abrir o ‘bullet time’ – a câmera lenta que fez tanto sucesso pelo filme Matrix. O cabo magnético foi um adicional interessante, podendo usá-lo para se balançar e puxar coisas.

Lara Croft – Tomb Raider: Legend ganhou o prêmio de Melhor Jogo do Ano.

 

Lara Croft – Tomb Raider: Anniversary (2007)

Finalmente chegava o jogo comemorativo de 10 anos da franquia, que fora tirado da Core e então produzido do zero – já com a nova mecânica – pela Crystal Dynamics. Lançado em 2007 para Playstation 2, PC e Xbox, futuramente para novos consoles e portáteis.

O enredo é o mesmo do original de 96, mas as fases foram reformuladas, só que um tanto menores e mais fáceis. Há quem diga que jogadores da nova geração não conseguiriam jogar caso ficassem perdidos pelo cenário sem saber o que fazer com uma chave; fora alguns quebra-cabeças e sequencia de saltos precisos. Com isso a qualidade desafiadora do primeiro jogo foi deixada de lado, focando na parte gráfica e ação desenfreada que teve início no Legend.

Uma pena que não teve o mesmo carinho e desenvolvimento que teve o remake de Resident Evil, onde manteve-se totalmente a essência do jogo, melhorando o que podia ser melhorado, atualizando para a mecânica e morto gráfico atual e expandindo o cenário, não reduzindo-o.

 

Lara Croft – Tomb Raider: Underworld (2008)

Terminava o ciclo iniciado em 2006 no Legend, fechando o arco desta trilogia. Inclusive as histórias se misturavam: O desaparecimento de Amélia e Amanda no Legend, com Natla do Anniversary se aliando a Amanda, levando Lara a buscar o Mjolnir – o Martelo de Thor para acabar de vez com Jacqueline Natla. Lançado no final de 2008 para Playstation 3, Xbox 360, PC, Wii e Nintendo DS. Uma versão saiu para Playstation 2 e Xbox no início de 2009, porém com gráficos inferiores e bem bugada, o mesmo ocorreu com o Wii, por causa dos processadores ‘atrasados’, o que deixou muitos jogadores decepcionados.

Underworld tinha a tarefa de concluir a trilogia atual, quem não jogou os dois anteriores pode não perceber a história por completo. Algo que chamou a atenção foi o trailer de lançamento mostrando a própria Lara Croft explodindo a sua mansão. O que no jogo ficou explicado como sendo a doppelganger, a alienígena (Tomb Raider 1996/ Anniversary) que replicava os movimentos de Lara, aqui tendo a sua fisionomia sendo uma versão mais forte e rápida da própria personagem.

Acompanhamos a aventura de Lara em busca das manoplas e cinturão de Thor para poder erguer o Mjolnir através da Inglaterra, Mar Mediterrâneo, Tailândia, México, Noruega, Sibéria e Áustria. O visual está belíssimo, tendo a pele de Lara recebendo sujeira do ambiente, pegadas na lama, trovões e chuva no céu, interação com a vegetação e luz e sombra nunca vistos antes. Tal como fora no Tomb Raider III, no Underworld Lara também usou diferentes roupas para cada fase visitada.

Como no Legend há uma moto, porém desta vez é de utilização livre, podendo navegar pelos cenários e fazendo paradas para exploração (com o anúncio do Shadow mostrando uma pirâmide escalonada típica do México, quem sabe não há uma nova versão desta moto, tal como em Uncharted 3 temos o jipe?).

 

Spin Offs

Entre 2010 e 2014, foram lançados dois jogos completamente diferentes dos demais. Uma mecânica própria e com modo multiplayer. Sem o nome Tomb Raider, apenas Lara Croft: The Guardian of Light (2010) lançado para Playstation 3, PC, Xbox 360 e smartphones; e o Lara Croft: Temple of Osiris (2014), para Playstation 4, PC e Xbox One. Aqui já surgia a Square Enix como distribuidora.

Remetendo muito aos antigos jogos de plataforma, porém num cenário 3D com muitas armadilhas, inimigos e ação. Uma boa distração para se jogar com amigos e família, mas que nada tem com os jogos principais da franquia.

 

A Nova Era

Tendo passado o período clássico e a trilogia inicial, os produtores decidiram que iriam reformular totalmente o jogo e a personagem. Outrora único, desde 2007 ganhara um rival a altura: Nathan Drake de Uncharted. Obviamente bebeu muito na fonte de Tomb Raider e Indiana Jones, porém o foco do jogo da Naughty Dog eram os personagens e a trama. Enquanto os jogos da Square Enix / Crystal Dynamics pouco se importava com esta profundidade, focando na aventura e, ok, um pouco na protagonista e o antagonista da vez.

 

Tomb Raider (2013)

Também chamado de reborn ou reboot, pois toda a franquia foi ‘rebutada’, ou seja, esqueçamos tudo o que a personagem já viveu e aqui Lara ganha mais uma biografia. Após cinco anos sem um jogo, Lara Croft voltava mais humana, menos sexualizada e com uma versão mais jovem e inexperiente. Era agora uma jovem arqueóloga que perdera os pais e conhecera a (insuportável) da Sam na faculdade. Segue-se uma expedição para Ilha de Yamatai, onde um culto a deusa Himiko, Solaris, dominava a ilha.

Esquecendo as pistolas, as cambalhotas e adventure, o jogo se tornou sobrevivência, stealth e armou Lara com arco e flecha, muito devido ao sucesso de Jogos Vorazes, o qual a protagonista utiliza um. Contudo, é possível relacioná-la também com Rambo II – A Missão. Trazendo o lado mais humano da personagem, vemos Lara se ferir, chorar e ter medo. Está frágil e precisa sobreviver para se tornar a caçadora de tumbas que conhecemos. Diferente dos demais, o jogo como um todo é a origem dela.

Se passando inteiramente numa ilha no Pacífico, próxima do Japão, Lara precisa caçar para sobreviver. O jogo agora se tornara ação com elementos de stealth e RPG, a personagem ganhava pontos de experiência, passando de nível e podia customizar itens. Há pontos de viagem rápida nas fogueiras de acampamento, embora o mapa nem seja tão grande. Os inimigos ganharam uma inteligência artificial melhor, fossem eles humanos ou animais. O elemento sobrenatural/ misticismo diminuiu bastante. Enquanto nos jogos anteriores Lara enfrentava diversos seres místicos desde o início, a partir do reboot apenas havia a presença e um confronto final rápido.

Os elementos anteriores foram mantidos, alguns de Uncharted foram copiados. E outra cópia foi o Instinto de Sobrevivência, tirado diretamente de Assassin’s Creed e outros jogos que usavam esta espécie de ‘radar’ ou visão aprimorada. O que reduz e muito a dificuldade do jogo. Além do arco e das armas de fogo, Lara conta com um machado de escalada que pode utilizar no combate corpo a corpo. Junto com o arco, o machadinho acabou se tornando a marca da nova série, diferente das pistolas duplas de outrora.

O jogo se tornou curto. Enquanto nos anteriores levava-se horas para concluir uma única fase na primeira vez que jogasse, com 14 ou 15 horas era possível concluir o jogo inteiro!

Diferente de Uncharted que tem, além do protagonista, coadjuvantes de peso, Tomb Raider trás um grupo que interage com Lara, no entanto sem aprofundamento, com relacionamento raso e motivações superficiais.

Ainda assim o jogo foi indicado e venceu vários prêmios, o que trouxe Lara Croft de volta a cultura pop, ganhando novos fãs e resgatando alguns dos antigos. Embora haja quem ainda torça o nariz para tantas mudanças, é inegável o sucesso deste jogo. Sendo o primeiro a ter classificação para maiores de 17 anos e até 18 anos para alguns.

 

Rise of Tomb Raider (2015)

Com a personagem já apresentada, a Crystal/ Square agora tinha como contar uma história mais livremente da personagem. Uma polêmica envolvendo exclusividade permeou este jogo, pois fora lançado primeiramente para Xbox 360 e One em 2015, janeiro de 2016 para PC e apenas outubro de 2016 para Playstation 4. Os fãs que usavam o Playstation tiveram que esperar quase um ano para jogar o game, sendo que o mesmo foi por muitos anos basicamente do Playstation e PC. Ironicamente o jogo foi sucesso de vendas para o Playstation, com certeza a Square/ Crystal não farão mais isto com os fãs desta plataforma.

No Rise, além dos equipamentos do anterior, Lara pode manufaturá-los e também recebeu uma faca de caça. O cenário e o ambiente como um todo melhoraram bastante, embora seja muito similar com o anterior.

Com os novos consoles, o modo online é a grande aposta da produtora. Novamente o jogo se tornou fácil e curto, se comparado com outros títulos da série. Este era possível concluir entre 15 a 20 horas de jogo.

Os trailers mostravam Lara visitando um psicanalista e, para provar que não está louca, viaja pelo mundo em busca de pistas deixada por seu pai. Surge a ordem da Trindade, um grupo paramilitar que busca o mesmo que Lara. Inicia-se uma corrida contra o tempo para quem encontra a cidade perdida primeiro, buscando os segredos da imortalidade.

Mais uma vez o sobrenatural é deixado de lado por praticamente todo o jogo, apenas resumindo-se ao final. E a protagonista precisa caçar e lidar furtivamente com inimigos humanos e animais. Este jogo foi muito melhor recebido pela crítica, recebendo excelentes notas e premiações como Melhor Representação para Camilla Luddington (que interpreta Lara); Melhor Jogo de Ação/ Aventura e Jogo do Ano para Xbox One.

 

Smartphones

Em 2015 foram lançados dois jogos para celulares – Lara Croft: Relic Run e o Lara Croft: GO. Jogos de ação e aventura/ plataforma. Relic Run é um jogo de corrida interminável, com os eventos passados tempos após o Temple of Osíris, o enredo se encaixa com acontecimentos deste spin off. Lançado em maio de 2015, em outubro contava com mais de 10 milhões de downloads.

Já o Lara Croft: Go é um jogo de puzzle por turnos. Sendo bem avaliado pela crítica como remetendo ao espírito do Tomb Raider clássico num jogo de puzzle em miniatura.

 

Shadow of Tomb Raider (2018)

Em Março de 2018 a Square Enix anunciou o título que já havia sido descoberto por fãs, pois alguém viu um possível desenvolvedor no transporte público e o título Shadow of Tomb Raider já estava na boca dos fãs mais fanáticos. Liberando um teaser que mostra Lara num ambiente de selva e uma pirâmide (provavelmente azteca), e posteriormente divulgando que a protagonista poderá usar o ambiente e o medo de seus inimigos contra eles mesmos, além de que inimigos clássicos como as piranhas (não, não é a Janice do AoD) estarão de volta.

Shadow concluirá a trilogia de origem da personagem. Os fãs acreditam que ao término deste jogo Lara se tornará o que conhecemos há 22 anos: uma personagem forte, aventureira destemida e com vasta experiência com artefatos e culturas ancestrais.

Está prometido um trailer completo para abril e o lançamento está programado para 14 de setembro de 2018 para todas as plataformas, não havendo exclusividade desta vez.

 

Filmes e quadrinhos

Adaptado três vezes para o cinema, as duas primeiras tendo Angelina Jolie no papel principal, trazendo a Lara da Era Clássica e a Primeira Era da Crystal Dynamics. Já em 2018 Tomb Raider contou a origem da personagem, adaptando os dois primeiros jogos da Nova Era da Crystal Dynamics, com Alicia Vikander encarnando Lara, o filme estreou no dia 15 de março e tem feito relativo sucesso, embora o marketing no Brasil não tenha sido tão forte.

A Top Cow recebeu a licença para publicação de história em quadrinhos da personagem desde 1999. Tendo havido crossovers com personagens do selo, como Witchblade. No Brasil a editora Abril Jovem distribuiu as primeiras edições na revista Ação Games, que mais tarde a editora Devir publicaria encadernados da Saga da Máscara da Meduza e Em Busca de Shangri-La. Atualmente as histórias estão sendo produzidas por Gail Simone, com a editora Dark Horse.


Sobre o(a) Autor(a)

Carioca, fã de história de fantasia. Não passa um fim-de-semana sem jogar RPG, a não ser que seja para ir pra pista dançar Spice Girls. Joga videogame nas horas vagas e é autor de VLAD - Sangue e Fúria, Axélia - O Diário da Vampira e dos contos: Despertar e Amém, Senhor!



One Response to 22 anos de Tomb Raider

  1. Gilliard says:

    Curti demias sua postagem! Sou fã de Tomb Raider desde o primeiro quando vi o dono da locadora atirando de 12 em um crocodilo, kkk.

    Confesso que joguei os 5 primeiros TRs. Na época do PS2 eu não joguei o AoS e demorei mais pra jogar Legend, Anniversary e Underworld, mas adorei-os. Só comecei o “TR 10” e ainda não joguei Rise.

    Quanto ao soco no tubarão, creio que foi adaptado da hq que saiu antes do segundo filme. Queria comentar desde que li no começo da matéria e no final que foi citado as hqs.

    Parabéns pelo belo trabalho!!!

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