Cinema

Published on agosto 10th, 2018 | by Thiago Croft

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Crítica do filme Mentes Sombrias

Desde Harry Potter que o cinema entendeu (e os números das bilheterias comprovam) que blockbusters adolescentes fazem rios de dinheiro. De lá para cá Crepúsculo, Jogos Vorazes, dentre outras adaptações neste segmento vêm confirmando isto e Mentes Sombrias é mais uma história para o público juvenil. Dirigido por Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 2 e 3), o longa adapta o primeiro de uma série de cinco livros da autora Alexandra Bracken e será lançado dia 16 de agosto nos cinemas brasileiros.

A premissa é interessante e atual – crianças e adolescentes estão misteriosamente adoecendo e morrendo graças a uma pandemia não explicada, as que sobrevivem são separadas de seus pais e levadas para um centro de reabilitação. Neste ponto, o longa poderia ter feito uma relação com a prática desumana empregada por Trump, mas deixou passar, o que é uma pena, pois isto abraçaria a causa e mostraria como tantas famílias se sentem ao serem separadas.

O mundo subitamente vira de pernas para o ar com a falta desses jovens (outro ponto mal explicado, talvez o livro aborde isto melhor), com os sobreviventes sendo levados e mantidos em verdadeiros campos de concentração. Lá são classificados por cores de acordo com as habilidades que cada um despertou após sobreviver a tal doença, bem ao estilo X-men.

Acompanhamos a protagonista Ruby (Amandla Stenberg) que é classificada como Laranja, dom mais perigoso e mortal, pois não pode ser controlado por ninguém exceto ela própria. Aqui é interessante ressaltar a miscigenação de etnias dos personagens, algo que já vem sendo apresentado há algum tempo no cinema, o que é ótimo; Amandla (sim está correta a grafia, não é Amanda, pois vem do Zulu, filha de Afro-americana com dinamarquês) é mulata, já dentre os coadjuvantes temos: o inteligente Charles ‘Bolota’ (Skylan Brooks) que é negro, a pequenina e fofa Suzume ‘Zu’ (Miya Cech) que é oriental e o galã Liam (Harris Dickinson) que é branco.

O filme extrai o seu melhor quando mostra a relação dos quatro personagens que precisam aprender uns com os outros a sobreviver nesta sociedade distópica que apenas querem usá-los e aos seus poderes ainda não compreendidos. É belíssimo de ver como conquistam suas vitórias e se tornam uma verdadeira família, em especial a uma cena com o carro que ao mesmo tempo que é engraçada, é emocionante. Contudo, como não podia ser tudo flores, existem os antagonistas terrivelmente mal apresentados e aproveitados.

A ‘Liga’ é a pior de todas essas organizações, nunca ficando claro de que lado está. Existe a figura dos caçadores de recompensas, que localizam e caçam os jovens. Uma delas, Lady Jane (Gwendoline Christie. Sim, a Brienne de Games of Thrones), que a princípio pareceu ser uma grande antagonista do filme, foi logo descartada, o que é uma pena… mais um ponto onde, provavelmente, existe maior desdobramento nos livros. Existe a figura do governo que, além de comandar o ‘centro de reabilitação’, fica o tempo inteiro emitindo uma mensagem do próprio filho do presidente oferecendo uma duvidosa cura (como não relacionar com X-men?) e por fim um grupo rebelde formado pelo Fugitivo e outros ‘mutantes’ – não sei de que outra forma chamá-los.

O começo e meio do filme são bem distribuídos, empolgantes e cativam, no entanto me perdeu nos vinte minutos finais. Com isso, dou uma nota 7 e a partir daqui direi o porque com SPOILERS.

Então, se você ainda não assistiu ao filme, pare de ler nesse exato momento!

S

P

O

I

L

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A

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T

!!!

 

A Liga acaba resgatando os quatro, porém Liam não confia neles, pois já esteve com a Liga e afirmou que não nasceu para lutar por eles. E a Liga indica que Liam não confia neles e que não poderiam deixá-lo ir, pois Liam sabe muito deles. Ruby, que possui dons telepáticos e é capaz de apagar mentes, sugere que ela fique com a Liga e que deixe Liam partir, pois ela tem como dar um jeito e… isto mesmo, ela se apaga das lembranças dele e o deixa partir. Fatalmente um final para o público para o qual o filme foi feito. A mocinha se sacrificando por amor, deixando que ele siga e ficando onde não gostaria de estar. O gancho para as possíveis, porém incertas e necessárias continuações é óbvia. Todavia, vejo algumas outras formas de conclusão do que esta broxante, vamos lá:

1 – Com os poderes apresentados, Ruby poderia apagar a si e os demais da mente da Liga, seguir com os outros três companheiros para longe, foi o que a personagem deu entender que gostaria.

2 – De igual forma, poderia mudar as lembranças de Liam, e que ele ficasse junto com ela na Liga. Afinal, Charles ‘Bolota’ está se recuperando e demoraria algum tempo até que pudesse sair do hospital.

3 – O clímax mostrado poderia ser um anticlímax e o verdadeiro final aconteceria numa fuga e combate contra a tal Liga (como disse, nunca ficou claro de que lado eles estão). Mas aparentemente ela é uma resistência, um possível Mentes Sombrias 2 mostrará a guerra entre dois exércitos de ‘mutantes’, a Liga contra o governo.


Sobre o(a) Autor(a)

Carioca, fã de história de fantasia. Não passa um fim-de-semana sem jogar RPG, a não ser que seja para ir pra pista dançar Spice Girls. Joga videogame nas horas vagas e é autor de VLAD - Sangue e Fúria, Axélia - O Diário da Vampira e dos contos: Despertar e Amém, Senhor!



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