Mês do livro: executivos de tecnologia transformam experiência em publicações
Crescimento do consumo de livros no país ocorre em paralelo à produção de obras por lideranças do setor de tecnologia
O mês do livro reforça a importância da leitura como ferramenta de acesso ao conhecimento e de desenvolvimento social. No Brasil, o hábito de leitura dá sinais de avanço: em 2025, 18% da população adulta adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores. O avanço é de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da Câmara Brasileira do Livro.
No setor de tecnologia, a produção de livros por executivos tem se consolidado como uma estratégia para sistematizar aprendizados de um mercado em constante evolução. Em áreas onde a prática muitas vezes antecede a teoria, a escrita surge como forma de organizar conhecimento, compartilhar experiências e contribuir para a formação de profissionais e o amadurecimento do ecossistema de inovação.
Fintechs, bancos digitais e meios de pagamento: quando a prática chega aos livros
No setor de tecnologia financeira, onde a inovação avança em ritmo acelerado e muitas vezes precede a produção acadêmica, a escrita tem ganhado espaço como ferramenta para registrar conhecimentos ainda em construção. Nesse cenário, Juliana Strohl, cofundadora e CLO da Kamino, é coautora da obra “Fintechs, Bancos Digitais e Meios de Pagamento” (volumes 1 e 2, publicados em 2019 e 2020). O livro reúne visões de especialistas que atuam na transformação do sistema financeiro nacional, propondo uma reflexão sobre o equilíbrio entre inovação, concorrência, inclusão e segurança de dados.
Na obra, Juliana aborda o Open Banking, explorando a descentralização e a interoperabilidade como motores de competitividade. Sua atuação na agenda regulatória e na abertura de mercado conecta-se às frentes em que atua hoje, como os Embedded Payments. “Escrever sobre esses temas foi, para mim, uma extensão natural da prática”, afirma a executiva.
Em um ecossistema de evolução constante, a produção de conteúdo por executivos contribui para estruturar o conhecimento empírico e apoiar a formação de novos talentos. A experiência de coautoria amplia o olhar sobre o setor ao integrar perspectivas que vão da tokenização aos novos modelos de conta digital. “Foi como beber direto da fonte de cada especialista, garantindo que o livro fosse um panorama multifacetado do setor, e não apenas uma soma de textos. O papel do executivo como autor é documentar o legado de quem está na linha de frente e consolidar as bases para quem está chegando”, finaliza Juliana.
Startup studio: modelo organiza criação de empresas
Escrito por Carlos Perobelli, CEO da Nexmuv e fundador do Startup Studio TheGarage, o livro “Startup Studio Playbook: O modelo das startups de sucesso” funciona como um guia prático para empreendedores, investidores e empresas que buscam estruturar negócios mais sólidos e escaláveis. A obra apresenta o modelo de startup studio, que organiza a criação de startups em série, com times qualificados e visão estratégica de longo prazo. Com base em estudos de caso, ferramentas e uma lógica estruturada de desenvolvimento, o livro se posiciona como um manual para quem busca estruturar negócios.
O livro é uma adaptação do trabalho de Attila Szigeti, referência global em startup studios, e passou por uma tropicalização conduzida por Perobelli para refletir desafios da implementação do modelo no Brasil. A motivação para a adaptação da obra veio da percepção de lacunas no ecossistema brasileiro. “A gente percebeu que faltava estrutura na forma como muitas startups são criadas aqui. O objetivo do livro é justamente ajudar a formar empreendedores mais preparados e empresas mais organizadas, com base em um modelo que já se provou eficiente globalmente, mas adaptado à nossa realidade”, afirma.
Ecossistemas de inovação ganham diretrizes práticas
Florianópolis concentra cerca de 25% do seu PIB no setor de tecnologia e reúne mais de 6,4 mil empresas, que movimentaram R$ 12,8 bilhões em 2024, segundo o Observatório de Inovação de Florianópolis, liderado pela ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). Diante desse contexto de expansão, foi publicado, em 2021, o livro Ponte para a inovação, organizado por Daniel Leipnitz, presidente do Conselho Deliberativo da ACATE, e Rodrigo Lóssio.
A obra apresenta caminhos para o desenvolvimento de ambientes inovadores, reunindo contribuições de lideranças do ecossistema de tecnologia ligadas à ACATE. Também sistematiza aprendizados sobre a construção de ecossistemas empreendedores com base em experiências de executivos à frente de iniciativas do setor.
Com foco na aplicação prática, o conteúdo é estruturado em diretrizes que podem ser adotadas por empresas, lideranças e gestores públicos na criação de ambientes mais colaborativos e no fortalecimento da conexão entre universidades, setor produtivo e governo. A publicação já soma mais de 6 mil exemplares comercializados no país. “A gente quis colocar no papel uma forma prática de contar essa história, para que as pessoas possam usar como um guia para desenvolver ambientes inovadores”, afirma Leipnitz.